Saúde e exclusão digital fazem idosos perderem mais empregos na pandemia

Em meio a uma alta do desemprego, os trabalhadores idosos são quem mais estão sofrendo com a falta de vagas, de acordo com estudos que analisaram os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, e do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), divulgados pelo jornal O Globo.

O cenário de preconceito existente antes da pandemia, somado aos riscos do coronavírus para os mais velhos e a exclusão digital acabaram tirando mais empregos dos idosos do que de outras faixas etárias. Em agosto, houve geração de 263,7 mil vagas com carteira para quem tem abaixo de 60 anos. Já entre os mais velhos, foram eliminadas 14,3 mil vagas, segundo os números do Caged.

Segundo dados compilados pelo sociólogo Ian Prates, do Cebrap, 71% dos idosos estão no setor de serviços, que é o que mais sofre por conta das medidas de distanciamento social. Menos jovens atuam nessa área – são 55%.

“A retomada no mercado formal já começou, embora bastante tímida. Para os idosos, no entanto, o saldo continua negativo. Uma tendência que já vinha no mercado formal e que se intensificou com a pandemia”, afirmou Prates.

Para a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os idosos sofrem em maior nível. “Idoso livre viajando, passeando, namorando, indo a bailes, tudo isso acabou. Ele está confinado, preso. Se já sofria preconceito no mercado de trabalho, está sofrendo ainda mais. Criaram até memes depreciativos sobre os idosos”, criticou ela.

Ana Amélia afirma que 600 mil trabalhadores com 60 anos ou mais perderem emprego entre o fim de 2019 e o segundo trimestre de 2020. E sinaliza que houve 605 mil demissões. “Os que estão saindo agora do mercado de trabalho não voltam. Quando houver uma vacina, vão estar mais velhos com uma lacuna no conhecimento. Se isso acontece com os jovens, imagina com os idosos”, ponderou a pesquisadora.

Outro dado que aponta para isso é o fato de 38,7% da população de 60 anos ou mais acessar a internet, menos que a média brasileira, de 74,7%.

 

Texto: Do Uol, em São Paulo

Imagem: Getty Images

 

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