Vacina de Oxford gera resposta “robusta” entre idosos e adultos mais jovens

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em colaboração com a empresa AstraZeneca, gera uma resposta robusta na imunidade entre idosos, assim como em adultos numa faixa etária mais jovem. Esses foram os resultados obtidos em testes clínicos e que, em breve, serão divulgados em revistas científicas.

A informação foi revelada nesta manhã de segunda-feira pelo jornal Financial Times. A vacina de Oxford faz parte de um acordo com o governo federal no Brasil, num projeto que envolve a Fiocruz.

A coluna confirmou que a OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia recebido informações no mesmo sentido, o que abriu a possibilidade inclusive para que a agência tivesse declarado publicamente que estava “otimista” em relação ao desempenho dos testes clínicos.

No dia 19 de outubro, a entidade indicou que havia recebido dados positivos de diferentes vacinas sobre a imunização entre a população mais idosa. A informação foi dada pela cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, que não citou nome de empresas.

Para ela, a “boa notícia” é que “algumas vacinas em desenvolvimento estão mostrando resultado muito positivos em imunização de pessoas idosas”. Segundo ela, esses dados são da fase 2 de testes e que foram obtidos pela OMS. “Esperamos que tenhamos vacinas que sejam eficazes para os mais idosos. É importante protege-los com vacinas”, afirmou.

Soumya admitiu que, entre idosos, a questão da imunização é um desafio e que nem todas as vacinas teriam um impacto positivo. O temor, portanto, era de que os resultados revelassem uma resposta fraca nesse segmento da população.

Cautela: segurança e eficácia ainda não estão garantidas

Especialistas, porém, alertam que o resultado positivo deve ser comemorado com cautela. Ainda que seja tratado como “enorme esperança”, a resposta robusta não significa necessariamente que a vacina será segura ou que irá de fato gerar uma imunidade adequada.

Para que isso seja confirmado, os dados de todos os idosos que participaram dos testes clínicos terão de ser analisados. Isso poderá ocorrer entre novembro e dezembro.

Adultos entre 18 e 55 anos

Às agências de notícias, a empresa explicou que houve de fato uma resposta imunológica semelhante tanto em idosos como adultos mais velhos quanto em adultos mais jovens, enquanto as respostas adversas foram menores entre os idosos.

“É encorajador ver que as respostas de imunogenicidade foram semelhantes entre adultos mais velhos e mais jovens e que a reatogenicidade foi menor em adultos mais velhos, onde a gravidade da doença COVID-19 é maior”, disse um porta-voz da AstraZeneca à Reuters. “Os resultados constroem ainda mais o conjunto de provas para a segurança e imunogenicidade do AZD1222”, afirmou.

De acordo com o Financial Times, a vacina de Oxford desencadeia anticorpos protetores entre os mais idosos, justamente o grupo considerado como prioritário em uma primeira fase de vacinação. O jornal cita duas fontes que fazem parte do projeto.

Em meados do ano, o mesmo grupo já havia indicado que a vacina gerou “respostas imunológicas robustas” entre adultos saudáveis, entre 18 e 55 anos de idade.

A notícia, agora, chega dias depois que os testes com a vacina foram retomados nos EUA, depois de uma pausa por questões de segurança e diante de um efeito colateral registrado num dos voluntários que participa dos testes.

A vacina AZD1222 foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Oxford. Em abril, sua patente foi repassada para AstraZeneca, num trabalho conjunto de produção.

Vacinação em massa apenas em 2022

Na OMS, documentos internos revelam que não haverá vacina suficiente para todos em 2021 e que uma campanha de imunização em massa no mundo deve ficar para 2022. Os documentos também indicam que tal volume apenas conseguiria ser atingido ao final de 2022, em dois anos.

As projeções das entidades internacionais estimam que a demanda por vacinas em 2021 será de cerca de 110 milhões de doses de forma imediata para imunizar profissionais de saúde, os primeiros a serem vacinados.

O segundo grupo, portanto, seria o de pessoas acima de 65 anos. Os dados apontam que serão necessários 2 bilhões de doses para esse segmento da população mundial e doentes crônicos, além do profissionais de saúde. A estimativa é de que cada pessoa terá de tomar duas doses da vacina.

Para 2022, esse volume de produção chegaria a 5,4 bilhões de doses, suficiente para 2,7 bilhões de pessoas.

 

Texto: Jamil Chade, colunista do UOL.

Imagem: Dado Ruvic

 

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