Montante movimentado no Brasil em 2020 deve chegar a R$ 1,8 trilhão; estudo será apresentado nesta terça (17)

Os idosos com mais de sessenta anos devem movimentar US$ 15 trilhões no mundo em 2020, segundo a Harvard Business Review. No Brasil, o montante deve alcançar R$ 1,8 trilhão, de acordo com dados do Instituto Locomotiva. As pesquisas do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a quantidade de sessentões já ultrapassou o número de jovens de 14 anos no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O potencial de consumo dessa faixa etária está estampado no FDC Longevidade, que lança nesta terça-feira (17) o TrendBook Negócios. O projeto foi organizado pela Fundação Dom Cabral (FDC), tem apoio técnico da Hype50+, patrocínio da Unimed-BH e apoio do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas e Liderança da FDC.

Análise do mercado da longevidade e o consumo dos maduros, oportunidades e inovações e cases de investidores e empreendedores são os três principais pilares do levantamento.  “O resultado comprova o potencial consistente do mercado dos maduros, mostrando uma gama enorme de possibilidades, que ainda podem ser exploradas e que muitos desconhecem”, afirma Michelle Queiroz, professora-associada da FDC e coordenadora do FDC Longevidade.

Já Layla Vallias, especialista em “economia prateada” e cofundadora da Hype50+, e Janno, coordenadora do estudo Tsunami Prateado, um dos maiores mapeamentos brasileiros sobre longevidade, destacam que “a revolução que estamos vivendo nos obriga a revisitar conceitos, quebrar padrões e discutir tabus. Para os mais estratégicos, é nesse oceano azul da longevidade que reside as grandes oportunidades para o futuro”.

Algumas marcas, ao redor do mundo, já começam a enxergar a força da chamada “economia prateada”, como a Airbnb, que comprovou o grande potencial de super hostsmaduros na plataforma. São eles que recebem as melhores avaliações. Amazon (Alexa), Nubank e Trekker estão entre as marcas que mais lucraram com o público sênior, segundo o FDC Longevidade.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do segundo trimestre de 2020, aponta que os brasileiros com mais de 60 anos representavam 8,6% da população ocupada (pessoas trabalhando) na semana de referência do estudo. A participação dos maduros aumentou quase 40% desde 2012, quando era de 6,2% – um aumento relevante mesmo de 2019 para 2020, apesar da pandemia da Covid-19.

Inovação, empreendedorismo e pesquisa de tendências desafiam cada vez mais os gestores de grandes marcas, indústrias e governos a encontrarem oportunidades verdadeiras parar este target. O diretor-presidente da Unimed-BH, Samuel Flam, lembra que o setor de saúde precisa entender as necessidades desse público. “Como as pessoas estão vivendo mais, elas precisam envelhecer com mais qualidade de vida. O nosso papel é apoiá-las para que entendam a importância do envelhecimento ativo, com autonomia e independência”, frisa Flam.

De acordo com estudo da pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em outubro deste ano, pessoas com mais de 60 anos que permanecem trabalhando apresentam os níveis mais altos de rendimentos médios reais quando comparados com qualquer outro grupo de idade.

O dinheiro é prateado 

O grupo de cidadãos com mais de 50 anos é o que mais cresce no Brasil e nos países desenvolvidos. Os maduros têm vidas mais longas, mais saudáveis e mais produtivas. O consumo deles vai muito além de gastos com a saúde e, cada vez mais, eles viajam, investem, namoram, empreendem e voltam às salas de aula. O consumo se dá, também, pela internet.

O luxo é prateado

O insight de Carlos Ferreirinha, considerado um dos maiores especialistas em mercado de luxo do Brasil, é para que as marcas entendam quem é o novo consumidor sênior, que usa street wear, gosta de grafite, quer usar tênis e roupas mais coloridas. Ferreirinha lembra que as principais marcas globais, principalmente do mercado europeu, têm no público com mais de 50 anos o seu consumidor mais expressivo devido a um patrimônio já construído ao longo da vida.

Mercado em ascensão

Dos maduros que participam de maratonas aos que estão abrindo um novo negócio é preciso ficar atento, pois este público está em plena mutação. No caso dos maduros dependentes, é importante identificar tanto os públicos a ele interligados, como familiares, cuidadores, profissionais da saúde etc. Estes, por sua vez, têm grande influência nas decisões sobre sua vida financeira, no suprimento de suas necessidades, e nas decisões de compra

Unicórnios prateados

O estudo FDC Longevidade – Negócios traz um mapa dos negócios que estão revolucionando mercados globais, entre eles, estão algumas soluções de empresas jovens, com o foco em tecnologia de ponta e design. Startups direcionam seus esforços para solucionar desafios que vão desde reduzir a solidão à criação de gadgets que facilitam as tarefas do dia a dia e, algumas delas, têm acertado em cheio, chegando a altíssimos valuations e mostrando que estamos cada vez mais próximos do surgimento do primeiro unicórnio prateado.

Inovação 

De acordo com um levantamento da Pipe.Social, que estua  o impacto de negócios de impacto do Brasil,  40% das iniciativas voltadas para o mercado da longevidade destinam-se a soluções para o cuidado e 25% para a gestão do cuidado. Engajamento e propósito somaram 22%; estilo de vida e mobilidade e movimento ficaram com 17% e 9%, respectivamente. Neste cenário desafiador encontram-se ainda tecnologias para dar suporte aos desafios em Saúde Mental (8%), Saúde Financeira (5%) e Fim da Vida (1%).

Negócios jovens

Apenas 44% possuem dois anos de criação e equipes enxutas de até quatro membros (47%) e de 5 a 19 colaboradores (46%), incluindo freelancers. As equipes são mistas (45%) e há um equilíbrio entre homens e mulheres na liderança do negócio com 23% e 21%, respectivamente. A análise da evolução e faturamento destas startups, apontou uma queda no número de negócios sem faturamento: em 2017 eram 63%; em 2018, esse número caiu para 54% e, no ano passado, foram 44% das soluções. Esse é um dos principais indicadores que determina a maturidade e evolução dos negócios no setor.  Dos 343 negócios analisados, 27% estão faturando até 100 mil reais, mas há aqueles que chegam a faturar mais de 2 milhões de reais.