Podcast legal: os impactos das fake news na vida das pessoas idosas

Olá, me chamo Fábia Maruco sou advogada e professora universitária. Você sabe quais são os impactos que as fake news causam na vida das pessoas idosas? Informações falsas divulgadas principalmente nas redes sociais como se fossem informações reais podem interferir negativamente em vários setores da sociedade, como política, saúde, educação e segurança. As chamadas fake news, possuem um poder de persuasão maior em populações com menor escolaridade e que dependem das redes sociais para obterem informações.

O impacto disso é a distorção brutal da informação, um processo de difamação e de destruição de reputações, quebra de confiança nas instituições abrindo espaço para qualquer tipo de aventura e proposta antagônica à própria democracia. As notícias falsas são pensadas e estruturadas para atingir alguns objetivos específicos: levar o leitor ao erro, fomentar boatos, deturpar uma informação verdadeira, atingir a honra de alvos públicos e a manipulação da massa visando alcançar determinados resultados. Até pouco tempo, as estratégias utilizadas no combate as notícias falsas ocorriam por meio de notas de esclarecimento, desmentidos, retratações e etc. O Brasil é um dos países que mais acredita em notícias falsas.

Apesar dos brasileiros afirmarem que são capazes de distinguir entre informações verdadeiras e mentirosas, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, 62% dos entrevistados afirmaram ter acreditado em informações que, na verdade, eram falsas. Uma taxa 14% maior do que a média mundial. A razão dessa confiança em notícias não verídicas pode ser o alto nível de participação dos brasileiros em diversos grupos no Whatsapp, o que aumenta bastante a possibilidade de disseminação de conteúdos duvidosos. Ao promoverem a desinformação, as fake news também podem ser uma forma de ameaça à saúde da população, sobretudo da população idosa.

Esse debate veio à tona em 2018, quando o Brasil enfrentou o maior surto de febre amarela desde 1980, ano em que o governo iniciou o registro dos casos da doença. Mas como saber se uma notícia é falsa? Geralmente às notícias falsas são redigidas com uma carga emergencial enorme, como por exemplo “compartilhe agora antes que retirem do ar”, “URGENTE”, “isso a mídia não mostra”, dentre outros superlativos que buscam aguçar a curiosidade do destinatário. O saldo deixado pelas fake news é a desinformação da sociedade, que acaba inserida num dilema sobre -o que é falso ou verdadeiro, ajudando a minar nossa cidadania e o direito de acesso à informação e por muitas vezes colocando o cidadão contra a Constituição Federal. As pessoas idosas, hoje em dia, procuram informações sobre suas doenças em várias fontes, em especial em palestras, mas atualmente tem como fonte principal a Internet, muito utilizada, já que várias dispõem de computador em casa, ou o utilizam também no trabalho, o que facilita o acesso.

Para este grupo de pessoas, procurar informações sobre sua doença os torna mais capazes de gerir seu próprio tratamento e proporciona independência das informações dadas pelos médicos e demais profissionais de saúde, as quais, segundo eles, costumam ser insuficientes. Os idosos buscam as tecnologias para se sentirem mais ativos, conectados e inseridos na sociedade, porém podem ser alvos das notícias falsas, acreditando no conteúdo das mensagens e adotando-as em suas práticas de saúde, além de as reenviarem para outros.

Pesquisas demonstram que indivíduos com mais de 65 anos compartilham até sete vezes mais notícias falsas quando comparados com usuários de outras faixas etárias. O impacto dessas mensagens na área da saúde é difícil de ser mensurado e preocupa ainda mais em idosos, pois podem aumentar a possibilidade de ocorrer abandono de tratamento, causar interações medicamentosas que comprometam o efeito dos medicamentos necessários, agravar o estado de saúde e levar até a morte.

Sabe-se que as informações falsas são mais dificilmente combatidas conforme o tempo avança, pois, a medida em que é replicada e difundida, tende a se cristalizar como uma verdade. É de suma importância se ter uma sociedade que não seja induzida por inverdades, que consiga diferenciar o falso do verdadeiro e que tenha essa distinção como forma de garantir seus direitos. Ouça o podcast (CLIQUE AQUI).

Referências

BBC NEWS/BRASIL. Idosos são mais propensos a espalhar notícias falsas, diz estudo. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46849533>. Acesso em 06 fev.2021.

BUSSULAR, Luis Filipe. O impacto das Fake News na vida em sociedade. Como surgem e qual o reflexo das falsas notícias no cotidiano. Disponível em: https://lfbussular.jusbrasil.com.br/artigos/577903609/o-impacto-das-fake-news-na-vida-em-sociedade>. Acesso em 06 fev.2021.

GALHARDI, Raul. Brasil é terreno fértil para fake news. Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/crise-na-imprensa/brasil-e-terreno-fertil-para-fake-news/>. Acesso em 06 fev.2021.

LUCE, Bruno; ESTABEL, Lizandra Brasil. Desinformação na terceira idade: como o público idoso se relaciona com as Fake News dentro das redes sociais. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pbcib/article/view/51287>. Acesso em 06 fev.2021.

MANSO, Maria Elisa Gonzalez; VALLADA, Isabella Braum Pinto; HLUCHAN, Karoline; OSHIRO, Leonardo Vilela Soares. Fake News e Saúde da Pessoa Idosa. Disponível em: https://revistalongeviver.com.br/index.php/revistaportal/article/viewFile/770/831>. Acesso em 06 fev.2021.

 

Texto de divulgação e foto: REDE

Texto do podcast: Fábia Maruco