Podcast Legal: o idoso no brasil e os desafios de envelhecer

Olá, me chamo Fábia Maruco, sou advogada e professora universitária. Você sabe qual é o perfil do idoso no Brasil e os desafios de envelhecer com dignidade? Envelhecer no Brasil significa enfrentar muitos desafios, principalmente para as pessoas com baixo poder aquisitivo que não conseguem suprir suas necessidades básicas, pois o país não está preparado para essa nova realidade que está posta, trabalhando com uma política pública que não consegue atender essa população com qualidade e atenção.

O idoso brasileiro ainda é associado à inatividade e aposentadoria de forma equivocada. Embora este indivíduo necessite de uma rede de assistência, cuidados e políticas próprias, existe uma transição da atuação do idoso na sociedade brasileira. Hoje, muitos idosos trabalham ou estão disponíveis para serem reinseridos no mercado de trabalho, mantém uma vida social ativa, se relacionam, consomem, viajam, etc. Um recorte sobre a tecnologia mostra que os idosos estão cada vez mais conectados e interagindo socialmente nos meios digitais.

Nos países asiáticos a velhice é sinônimo de experiência e sabedoria em que as pessoas idosas são tratadas com atenção e respeito. No Brasil a velhice é sinal de decadência e incapacidade e as pessoas com mais idade sofrem preconceitos e são desrespeitadas cotidianamente. Em todo o mundo, o conceito de o que é ser idoso está mudando em alta velocidade. Hoje, os brasileiros já somam 28 milhões de idosos e até 2031 a expectativa, segundo o Ministério da Saúde, é que o número chegue a 43 milhões. O envelhecimento da população é resultado de avanços significativos no desenvolvimento do país, como o aumento da expectativa de vida, mudanças de hábito da sociedade, políticas de amparo à população idosa, entre outros.

A população brasileira está envelhecendo muito depressa e isso tem um custo pelo fato do país não estar preparado, não ter políticas públicas adequadas para essa população específica. Os desafios vão crescendo à medida que a população de velhos vai aumentando. O país tem por obrigação promover a valorização das pessoas mais velhas e garantir políticas para que a população envelheça com qualidade e de forma ativa. É necessário que a mente, o corpo e as relações sociais dessas pessoas estejam em atividade. A grande dificuldade da pessoa que passa a ser considerada velha é ficar incapacitada dos seus afazeres diários, de passar da independência para a dependência e essa relação vem com o surgimento de doenças mais sérias principalmente.

O crescimento da população mais velha acompanhou também o aumento das doenças crônico-degenerativas, mudando o panorama das condições de saúde da população brasileira. Se por um lado é possível viver bem mais do que no século passado, por outro é preciso oferecer a essa população condições para que a longevidade seja acompanhada por bem-estar e qualidade de vida. Para isso acontecer é necessário que o Estado dê a importância devida às pessoas com mais de 60 anos para que essas mesmas não sejam consideradas inúteis para o trabalho como são vistas na atualidade, que sejam respeitadas e que tenham garantidos a saúde, o bem-estar psicológico e social, independência, segurança e participação em diferentes contextos e setores. Em 2050 estima-se que a população de velhos representará ¼ da população mundial, alcançando 2 bilhões de habitantes.

No Brasil o cenário é mais evidente com o crescimento acelerado do número de pessoas idosos mais longevas, com 80 anos ou mais. Com essas novas configurações sociais é importante que os idosos sejam acolhidos, pois muitos moram sozinhos ou mesmo estando junto com a família ficam muito tempo em casa sós, sem receber nenhum cuidado básico enquanto os familiares estão trabalhando ou fora de casa. As políticas públicas garantidas pela Constituição e pelo Estatuto do Idoso não são trabalhadas adequadamente, pois são políticas focalizadas, e fragmentadas – com atendimentos precarizados de forma que os idosos na maioria das vezes se sentem excluídos ao invés de incluídos nesses programas – quando deveria ser universalizadas. O Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), estabelece em seu artigo 3º, que “é obrigação da família, comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”.

Com essa população de idosos longevos e também com os que estão se aproximando da idade onde são considerados velhos é preciso que eles sejam tratados com toda importância e com urgência por essa política pública que existe no país. É preciso priorizar todos os temas relacionados ao envelhecimento, porque essa é uma realidade que se apresenta e que precisa ser enfrentada o mais rápido possível, pois não se sabe até onde esse “problema” pode chegar. No contexto do envelhecimento populacional são inúmeros os fatores que fazem com que o envelhecer no Brasil seja considerado um “problema sem solução” a ser resolvido. Mas ante o que foi exposto fica claro que os velhos não são um problema. Os velhos têm problemas que precisam ser resolvidos imediatamente! O texto deste podcast pode ser lido no link que está na descrição.

Referências

BRASIL. Planalto. Estatuto do Idoso. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm>. Acesso em 20 fev.2021.

CARVALHO, Dilma Maria de. Os desafios de envelhecer no Brasil. Disponível em: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/os-desafios-de-envelhecer-no-brasil/>. Acesso em 20 fev.2021.

GERO 360. O idoso no Brasil: entenda o envelhecimento hoje no país. Disponível em: https://gero360.com/idoso-no-brasil/>. Acesso em 20 fev.2021.

GRANCHI, Giulia. Brasil terá 43 milhões de idosos até 2031; como preparar a sociedade? Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/11/12/brasil-tera-43-milhoes-de-idosos-ate-2031-como-preparar-a-sociedade.htm?>. Acesso em: 20 fev.2021.

 

Texto de divulgação e foto: REDE

Texto do podcast: Fábia Maruco